Política Energética é Política Industrial

O crescimento baixo do PIB em 2017 é resultado direto do processo de desindustrialização gerado pela falta de projetos relacionados a geração de energia em todas as matrizes.

Como parâmetro podemos analisar e questionar a postura industrial da China com suas grandes obras impulsionadas por um estado centralizador, mas é exatamente esta postura agressiva de construção de grandes projetos que formam a base de sustentação do crescimento chinês. No Brasil a falta de continuidade de investimentos gera desequilíbrios econômicos, fechamento de empresas e redução de empregos.

Por que cancelar leilões eólicos se haverá déficit energético com qualquer crescimento do PIB? Por que não usar estes projetos para gerar impulso econômico e aquecimento de setores industriais e de serviços? Desprezar o potencial hídrico energético da Amazônia? Como ter uma fonte constante de geração sem hidrelétricas? Por que não continuar investindo intensamente em parques eólicos?

O custo de energia do Brasil é um dos mais caros do mundo e isto afeta nossa competitividade em vários setores. Não investir em geração de energia é não investir na indústria. Não investir na indústria é não investir na geração de empregos e no crescimento econômico. Somos referência em construção de hidrelétricas. Buscamos competitividade no setor eólico. Paralisar projetos não é uma decisão política e econômica adequada.

Em função da crise a demanda por energia tem caído, mas são grandes projetos que aumentam a demanda e geram crescimento do PIB. Adotar uma postura de facilitação de grandes obras em conjunto com medidas de redução do Estado é imprescindível. As políticas industriais e energéticas são fatores determinantes de crescimento econômico e deveriam ser consideradas bases fundamentais de mudança do cenário atual. Não se trata de priorizar uma matriz em detrimento de outra e sim continuar investindo satisfazendo interesses públicos, privados e gerando crescimento econômico.

Política energética é política industrial e dependemos destas políticas para voltarmos a crescer.

Antonio Silveira